|
 Olha
gente eu vou contar De uma forma bem bacana Vou rimar cada palavra
Como quem brinca gincana Pra mostrar como nasceu Nossa terra paulistana.
E São Paulo veio assim De uma forma planejada: - Vamos lá
nessa cidade Ensinar bíblia sagrada Era um padre Jesuíta
Que falava essa jornada.
Padre Manuel da Nóbrega Quis sair do litoral Já estava
em São Vicente Mas queria um outro local Subiu a serra do mar
Foi pertinho à capital.
Também vieram co's padres Os índios Tibiriçá
Também índios Caiubí Aportaram bem por cá
E na Vila Santo André E gostaram bem de lá.
E saíram procurando Um lugar adequado: - Esse aqui tem clima
bom Por Deus é abençoado! No vale Piratininga O colégio
foi fundado.
1554 Vinte e cinco de janeiro Celebrou-se então a missa Bem
Solene o tempo inteiro Já são quase cinco séculos
De São Paulo brasileiro.
E no topo da colina Ele então foi construído Era fácil
defender-se De um índio atrevido Desse jeito o povo estava
Bem seguro e protegido.
A missão Jesuítica era Sempre de catequizar Os padres
lá juntaram Todos índios sem parar E as famílias
portuguesas Pro trabalho começar.
Vão surgindo as fazendas Espalhadas pela pista No fim do século
XVIII Toda terra é uma conquista Logo estamos a caminho Lá
do litoral santista.
Muito milho e mandioca Que naquela terra tinha A oliveira e o trigo
Lá também tinha a vinha Muitas frutas e farturas
Daquela terra adivinha.
Mas não posso esquecer De falar daquela área Além
de todas as frutas Também tinha pecuária Que não
sendo importante A chamavam secundária.
Só
no século XVIII Tivemos expedições As chamadas de
Bandeiras Que queriam multidões Para escravizar os índios
Trabalhando pros patrões.
Essas bandeiras queriam O que era importante O que dá muito poder
Toda hora e todo instante Aqui falo pra vocês Muito ouro e
diamante.
E foi tudo espontâneo Naturalmente criou Grande centro onde diziam:
- Esse aqui negociou! Em um centro de comércio A vila "se
transformou".
Se ouro foi pra Europa Os índios diminuíram No fim do séc
XVIII Nossas vilas bem ruíram E São Paulo estava pobre
Pois os ricos desistiram.
Se São Paulo então ficou Com bastante agonia Mas a terra
abençoada Deus não falha um só dia Pois passado
alguns anos Nossa vila ressurgia.
O interior paulista Tem a terra muito viva Começou a plantação
Nessa terra produtiva Que deixou a capital Muito forte e bem ativa.
Muitas pistas, muitas pontes Nessa terra paulistana Muito milho e mandioca
Produção que lá emana Mas o que domina mesmo
É a cultura da cana.
Quem
produz bastante cana Tem que ter bom desempenho Tem que ser um homem
forte Comprovando seu empenho Esse fazendeiro é O grande
senhor do engenho. A
cultura dessa cana Muito farta, bem legal Fez com que os fazendeiros
Procurassem outro local Saíram do interior Pra morar na
capital.
Então nossa capital Vai ficando recheada Com os ricos fazendeiros
E a alma endinheirada Sempre sempre vai crescendo Nossa terra abençoada.
Chegam muitos diplomatas São pessoas importantes Chegam sábios
e filósofos Com saberes tão gigantes Estrangeiros, artesãos
E também comerciantes.
Ano de mil e oitocentos Vinte e oito dito e feito Surge uma construção
Que impõe muito respeito Eu falo da especial Academia de
direito.
O mundo está aqui Tem teatro e livraria Tem jornais e bons cafés
Tem bailes à fantasia Tem cultura e muita arte Também
tinha poesia.
E naquele bom passado A mulher era omissa Pouco saía de casa
Parecendo uma injustiça Pois pra ver alguma moça Tinha
que ir para a missa.
Surge a iluminação Pras ruas abandonadas Iluminação
a gás Alguns deram umas risadas Como num gesto de mágica
Ruas são iluminadas.
Já no século XIX Na cidade São José No vale
do Paraíba Onde o povo mostra fé Está grande a
cultura Produtiva do café.
O café traz as riquezas Traz dinheiro e muitos brilhos Surgem
então novas estradas Também surgem novos trilhos E São
Paulo 'tá crescendo Muito e sem empecilhos.
E os ricos fazendeiros Vêm morar na capital Para cuidar dos negócios
Campos Elíseos, o local Foi então que surge o bonde
Com tração só animal.
Pois assim que aconteceu Bem aqui nesses terreiros Os burrinhos que
levavam Os ricaços fazendeiros Trabalhavam bem felizes Carregando
aventureiros.
Mas o tempo foi passando E os anos consumidos Todos gostavam dos burros
E os chamavam "queridos" Quando chega o século vinte
São jogados e esquecidos.
Pois agora o que manda É a elétrica tração
Ninguém quer mais esses burros Pra "puxar" qualquer vagão
O burrinho aposentou-se É o progresso da nação.
Substituíram tudo Minha gente, foi um rolo A velha casa de taipa
Caiu e sobe o tijolo Das casas abandonadas Só lhes resta
o consolo.
E São Paulo foi crescendo Toda noite todo dia Um povo que só
trabalha Seo José, dona Maria A situação "tá"
dura Mas não falta alegria.
Muitos raças já vieram Do norte ao sul do país
Pernambuco, Paraíba Uma gente de raiz Tem também gente
do sul Vem pra cá pra ser feliz
Tem mineiro e baiano Tem quem veio de Natal Tem quem é do interior
Tem quem é do litoral Todos foram e são bem vindos
Nesta linda capital.
E São Paulo recebeu Imigrantes portugueses Com os braços
bem abertos Recebeu os japoneses E os sírios, coreanos E
também os libaneses.
E São Paulo até hoje Nunca pára de crescer É
cidade gigantesca Produtiva pra valer Nesta terra de concreto Tudo
pode acontecer.
Aqui temos miseráreis Aqui falta até comida Aqui temos
mil ladrões Temos gente esquecida A cidade tão gigante
Que parece estar perdida.
Mas eu não perco minha fé Sei que tudo vai mudar Sei que
o pobre vai comer A miséria acabar E é isso que me ajuda
Todo dia caminhar.
Sei que aqui falta comida Para a boca da criança Sei que aqui
falta emprego E a sujeira só avança Sei que falta muitas
coisas Só não falta a esperança.
De um povo que trabalha Com suor bom do seu rosto Seja o dia ou seja
a noite Todo povo está disposto Seja o rico ou seja pobre
São Paulo só nos dá gosto.
É cidade dos artistas É cidade da cultura É cidade
do cinema É cidade da bravura É cidade onde o poeta
Constrói sua literatura.
Cidade dos nordestinos Que saíram do sertão Cidade onde
o imigrante Entregou seu coração Onde cruza a Ipiranga
Com a bela São João.
É cidade do Bixiga É cidade Bela vista É cidade
poluída Que machuca minha vista Mas eu curo bem na hora
Que eu vou para a Paulista.
É cidade são Matheus É cidade Itaquera Cidade praça
da Sé Onde o povo se aglomera É cidade onde o real
Se transforma em quimera.
Olha gente eu falaria Até o findar do ano Sobre essa linda cidade
E eu não faria engano Que falei emocionado Porque sou um
paulistano.
A vocês que vivem aqui Essa simples poesia São estrofes
de cordel Que eu fiz com alegria Mas agora eu vou embora Adeus,
até outro dia.
|